segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Comunicação Social em Crise:

A comunicação social em Portugal está a viver momentos muito difíceis. A acentuada queda de receitas, em especial na imprensa escrita, está a desencadear uma onda de despedimentos sem precedentes. Enquanto isso, as diversas universidades, públicas e privadas, continuam a enviar para o mercado de trabalho centenas e centenas de recém-licenciados em comunicação social direitinhos para o desemprego.

No primeiro mês do ano a descida das receitas em publicidade é grave. Haja coragem de assumir: é assustadoramente grave. Não fosse 2009 ano de inúmeras eleições e a coisa seria ainda mais negra. No JN, DN, 24 Horas, RCP, entre outros, os despedimentos somam-se dia após dia. Aliás, diz quem sabe, em Março ou Abril, o grupo controlinveste prepara-se para despedir mais gente.

A questão não está em subscrever ou deixar de subscrever os diferentes abaixo-assinados que correm pela blogosfera, por muito que nos custe a todos. Importa saber, antes de tudo, como resolver este imbróglio: sem receitas não há postos de trabalho que aguentem. Sem vendas reais em banca não há empresas dispostas a publicitar. Uma pescadinha de rabo na boca.

Posso estar enganado mas o fim do jornalismo de investigação foi a machadada final, sobretudo na imprensa escrita. Somando o facto, bem real, da comunicação social, no seu conjunto, se resumir a Lisboa. Se quero saber o que se passa no Douro, nas Beiras ou no Minho, não tenho nenhum jornal que me informe. Mesmo sobre o Grande Porto, tudo se resume ao Jornal de Notícias e mesmo assim…Nos temas políticos, são todos cópias uns dos outros. Nos apontamentos sobre o que se escreve na blogosfera, são quase sempre os mesmos citados. Na economia e finanças, tudo pela rama. A vertigem pelo sangue e pelas lágrimas levou a um afastamento do chamado leitor médio. Contudo, continuam TODOS a julgar que é isso que vende. Pois se assim fosse, não estavam a perder leitores. A Sábado é a excepção que confirma a regra e um bom exemplo de reflexão para os restantes. Não é por acaso que esta revista continua a ganhar leitores.

Precisamos, urgentemente, de uma outra abordagem do jornalismo, de uma nova forma de fazer jornalismo, em especial na imprensa escrita. Sem isso, nada pode impedir a sangria diária.

Já sei que é fácil falar. Já sei. Mas pior é estar calado a assobiar para o ar. Pessoalmente, até pela profissão que exerço, nada como uma imprensa debilitada. Pois. Mas a minha paixão pelo jornalismo impede-me de ser um cabrão que quer uma imprensa fraca. Quem defende a democracia só pode defender uma comunicação social forte e independente. Daí este meu alerta em jeito de desabafo.

2 comentários:

José Freitas disse...

A crise não está só na comunicação social. Está em todo o lado, não há forma de disfarçar. Está, e aqui é onde reside o principal problema, na sociedade que construímos ao longo de muitos anos. Uma sociedade consumista e de pura busca da ganância.

Luís Lima disse...

Uma imprensa fraca não interessa a ninguém. Menos meios, menos trabalhos interessantes (jornalisticamente falando). Menos trabalhos interessantes, uma sociedade mergulhada na ataraxia e no deixa andar.

Com todos os defeitos, sem esquecer a corrupção do sistema - em alguns casos, quase criminosa -, o Mundo seria um lugar pior se não existisse a Com. Social. Sou parte interessada, é certo, mas prefiro pensar que os outros, os que não são parte interessada, concordam comigo. Se bem que alguns... talvez não concordem.

Para bem da democracia realmente democrática (está longe, eu sei), que prosperem os grupos de com. social.

(Ok, sou muito novo para me lembrar da falta dela, da democracia. Mas também tenho avós, e eles ainda se lembram. "No tempo do Salazar as coisas eram melhores", dizem alguns. "Pois era, era. Era batatas com batatas todos os dias", responde o meu avô Artur. E eu acredito nele.)

LL